terça-feira, 16 de setembro de 2008

Religião ou cultura religiosa?

Por religião entendemos que é um serviço ou culto à divindade, sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura ao criador. Por cultura religiosa temos algo como um sistema de idéias, conhecimentos, de padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade ou grupo.

No que tange à religião o que precisamos destacar é o “sentimento consciente” ao passo que na cultura religiosa é importante vislumbrar a essência caracterizadora de “padrões de comportamento”. O que nos leva a imaginar que o religioso, de maneira segura, é um pesquisador, um questionador sincero. É um observador que busca se desvencilhar de preconceitos para dar vazão ao assim chamado “sentimento consciente”. Na cultura religiosa não se busca fugir de conceitos preconcebidos. Ao contrário existe a insistência tenaz numa implementação sistematizada de “padrões de comportamento”.

Fica mais claro quando se simula um pouco da história político-religiosa: imaginemos vários países e que em cada um deles exista apenas uma forma de cultuar alguma divindade. Qualquer maneira de reverenciar uma divindade diferente seria terminantemente proibida. Num caso assim é natural supor que à medida que as pessoas fossem nascendo estariam incorporadas à religiosidade local. Poderíamos chamar isso de religião? Não seria uma cultura imposta por “padrões de comportamento”?

Assim acontecia na Europa após a reforma protestante. Em cada país uma tendência religiosa dominou de tal forma o pensamento que, quem nascesse naquela nação, seria automaticamente um membro do seguimento cultural-religioso ali estabelecido. O luteranismo cresceu em qual nação? E a crença anglicana? E a primazia católica romana?

Quando aconteceu o desbravamento da América o quadro obteve uma mudança significativa. Pessoas de países diferentes colonizaram aquelas terras. Nações diferentes? Sim e culturas religiosas também. Como não havia mais fronteira que impedisse a mistura das culturas religiosas, essas foram se fundindo e dando origem às diversas variantes. Muitas derivações! Hoje o quadro é impressionante, mas, sabe-se, explicável. São centenas de culturas religiosas pelo mundo afora que surgiram diante da mistura de pensamentos.

Tomando o Brasil como exemplo é óbvio supor que pelo ponto de vista estatístico é mais natural que aqui se nasça num lar católico, afinal é a igreja predominante. A cultura religiosa é implantada desde o nascimento e com muita ênfase. Justifica-se: crêem que até os sete anos as tendências de caráter estarão bem delineadas e torna-se fundamental a doutrinação que deve se estender desde os primeiros dias até o final da infância. Costumam chamar isso de “ensinar o caminho que se deva andar”, numa alusão ao contido no livro de Eclesiastes. Claro que é um caminho! O que não se sustenta é afirmar que isso é ministrar religião, pois não restam dúvidas de que existe um padrão de comportamento sistematizado em implementação constante.

A cultura religiosa tem como característica notável a arrogância. Mesmo aqueles que conhecem apenas um contexto social-religioso afirmam categoricamente que possuem a verdade. Algo que foge à realidade religiosa que é investigativa, sem preconceitos e atenta a assuntos novos. A cultura religiosa é irmã gêmea da ortodoxia. Não existe possibilidade de flexibilização. No caso de um segmento estar correto é cristalino que todos os demais estão no erro, eis o resumo e efeito desta forma de pensar e de agir.

A religião, por seu turno, não está adstrita a uma bandeira de fé e crença. Está compromissada com a verdade. Qual verdade? Eis a diferença do religioso para o que detém tão somente a cultura religiosa. O religioso não se arvora à condição de possuidor da verdade. Ao contrário está sempre exercendo a humildade da busca diligente. O filho da ortodoxia sempre parte do pressuposto de que está correto e que não há mais nada a ser investigado. O credo de sua comunidade político-religiosa é amplo e seguro na medida exata! Os demais credos estão eivados de erro. E a verdade? Qual delas? Cada segmento religioso tem a sua, claro.

Trata-se de assunto palpitante. Atrai de forma maravilhosa as pessoas compromissadas com a busca da verdade. Sim, aquela verdade eterna e imutável, que pode ser muito diferente de tudo que se possa ter imaginado.

Inauguro o blogue "Cultura e Religiosidade" com esse propósito: expor temas que procurem delinear a diferença existente entre religiosidade e cultura religiosa. A religiosidade como elemento de respeito às diferenças de pensamento, sejam de teístas ou de ateístas. E a cultura religiosa com seus propósitos proselitistas em frontal confronto com a essência do apostolado, num discurso que insiste numa base doutrinária hermeticamente fechada.

Serão mensagens esporádicas, mas pensadas com respeito e com a razão.

Um forte abraço.

Enéias Teles Borges 

8 comentários:

Marcelo Figueiredo disse...

Olá Enéias, acredito que também estou inaugurando seu post de comentários. Muito bem esplanada sua introdução co que tange às discussões sem fim, porém bastante atrativas como vc mesmo delineou...Busca-se uma verdade,porém parfraseamos aquele procurador romano: "o que é verdade" ? Sou uma pessoa desencantada religiosamente falando, mas não desacredito na fé, essa energia inexplicável, mas que existe e que sentimos.
Um abraço e bom projeto !

renata disse...

cade o autor .

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Renata: eu, Enéias, editor do blogue, sou o autor deste texto.

Enéias

Anti-conspiracionismo disse...

www.mrrealit.blogspot.com
muito bom o blogger,interessante o post.Goste#Parabéns#

Anti-conspiracionismo disse...

Lhe indico que pesquise sobre a tão polêmica "TEORIA DA CONSPIRAÇÃO", que na verdade é um fato, mas ainda há no meio deste assunto várias teorias além de fatos...A cultura religiosa poderia ser uma forma de imposição conspiracionista...Não sei...Só estou lhe dando uma dica para postar sobre este assunto polêmico e criar uma opinião sobre o assunto.
No meu blogger mesmo vc pode ver algumas coisas relacionadas com o assunto: www.mrrealit.blogspot.com
Mas só algumas coisas que tem postado lá, além de que o ultimo post está incompleto, mas vou terminar ainda...Talvez goste
#Boa sorte com o teu Blog.

Anônimo disse...

muito otimo esse contexto de cultura e religiosidade...

Selma Carvalho disse...

Dr. Enéias, crie um Blog sobre "Educação" e postando um texto sobre 'religiosidade nas escolas'deparei-me com seu texto que achei oportuno postar junto com a matéria. Achei bastante interessante seu posicionamento. Obrigada! Passe lá para ver: http://selmamcarvalho.blogspot.com.br/2012/12/polemica-religiosa-em-uma-escola-de.html

thaynara disse...

devemos respeitar as religioes de cada um,pois somos filho do mesmo criador da terra e do ceu...